Durante o período da “Política da Boa Vizinhança”, programa
instaurado pelo governo americano para tornar próximas as suas relações com a América Latina, uma artista é escolhida como símbolo do
continente: Carmen Miranda. Entre 1939 e 1945, participou de vários
filmes de sucesso de Hollywood, assumindo o papel de “representante
da cultura musical-popular brasileira nos Estados Unidos”. Os meios de comunicação, particularmente o rádio e o cinema, são usados como parte de uma estratégia de dominação ideológica, a denominada Política de Boa Vizinhança desenvolvida durante o governo Roosevelt. A mídia foi usada como instrumento pedagógico para americanizar o Brasil, o que comprova a existência de um plano articulado para promover a americanização.
O uso do cinema, como plataforma, para fins de propaganda e doutrinamento, e também para objetivos pedagógicos, esteve presente, no início do século XX, em diversos países, independentemente da ideologia que pregavam. Hitler estabeleceu uma espécie de Ministério da Propaganda que objetivava promover o funcionamento da propaganda política nazista. Com o início da Segunda Guerra, surgem filmes que atacam diretamente os inimigos internos e externos do regime nazista. Tal processo também ocorre entre os aliados, sendo mais evidente nos Estados Unidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, a exaltação ideológica no cinema atinge uma proporção absurda, constituindo um verdadeiro “cinema de guerra”. Hollywood por intermédio de Walt Disney colocou sua tropa (Pato Donald, Mickey e companhia) na campanha do esforço de guerra, neste contexto, vemos a criação de um personagem que simbolizava a figura do brasileiro "o Zé Carioca". Este personagem Irreverente e malandro, foi parte fundamental na estratégia de aproximação entre os
países, baseada fundamentalmente na parte cultural e contribuiu para consolidar a hegemonia dos EUA na América Latina.
Durante a Segunda Guerra Mundial o governo brasileiro tinha Getúlio Vargas à presidência, vargas fazia uma política externa que alguns especialistas chamaram de política
de barganha, onde obtinha relações comerciais
tanto com o Eixo, quanto com os Estados Unidos. Apesar disso, o presidente brasileiro parecia
ter ideias favoráveis ao fascismo. A intensão do governo americano com a
realização destas animações seria, para além da política cultural, uma
amenização da possível simpatia pelo nazi-fascismo na América Latina. Para isso, era necessário os mecanismos ideológicos e econômicos com o propósito de ter a adesão do Brasil para os interesses dos americanos.
Neste contexto, o Brasil assumia grande importância estratégica para a defesa do Continente. Por sua proximidade com a África, o Nordeste brasileiro se constituía um alvo provável de uma eventual invasão da América do Sul, e ao mesmo tempo, representava um local ideal para a partida de aeronaves que se dirigissem para a África e União Soviética. A cidade de Natal apresentava grande interesse militar, podendo servir de base de apoio à travessia de aviões do Atlântico Sul, e no caso de uma eventual tentativa de invasão do continente, num ponto estratégico para um possível ataque ao Canal de Panamá. Portanto, era de extrema importância a adesão do Brasil para os Aliados, em especial, para os EUA que desejavam ocupar militarmente este ponto estratégico que chegou a ser chamado de trampolim da vitória. O alinhamento com os EUA se deu a partir da concessão de vultosos financiamentos, que viriam a ser utilizados em favor da ampliação do parque industrial nacional (como na construção da Companhia Siderúrgica Nacional). O crescimento do intercâmbio cultural entre os países mostrou-se igualmente como outra importante estratégia de aproximação entre os dois países, tal arranjo diplomático foi promovido por Getúlio Vargas e o presidente norte americano Roosevelt para desta forma definir a entrada do Brasil na Segunda Guerra e possibilitar a implantação da Base Naval e Parnamirim Field - a época era a maior base da Força Aérea norte-americana em território estrangeiro.





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