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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Natal durante a Segunda Guerra Mundial


A cidade do Natal foi fundamental para a vitória dos aliados no contexto Segunda Guerra Mundial, uma vez que estava fincada em uma região estratégica, o extremo do Continente Sul-Americano que mais se aproximava fisicamente do Continente Africano, onde, no início dos anos 40, as tropas do Eixo avançavam suas conquistas. Devido a isso, foi instalada uma base militar dos Estados Unidos em Natal, em 1942, pois os Estados Unidos precisavam de um local de onde pudessem decolar com segurança. Um ponto de apoio que permitisse abastecer e seguir direto para a África.




Foi por suprir esta necessidade que Parnamirim Field era, na década de 1940, a maior base aérea estadunidense em território estrangeiro. Os aviões vinham dos EUA, abasteciam em Natal e ficavam prontos para fazer a travessia do Atlântico rumo ao continente africano. Ao fim da guerra, o fato rendeu à capital potiguar o apelido de “Trampolim da Vitória”.



A Base Americana aqui instalada, trouxe mudanças significativas para a população da pequena Capital Nordestina. Natal nunca mais seria a mesma, e teria de conviver com as modificações   econômicas e culturais que a presença dos aliados impôs à cidade. Um aeroporto com uma média de 200 voos diários, avenidas asfaltadas e a Base Naval do Alecrim foram marcas importantes do período. Mas, outras coisas menos relevantes, contudo muito apreciadas, também surgiram com a presença dos soldados americanos. Natal foi a primeira cidade brasileira a ter coca-cola, ketchup, óculos de aviador e calças jeans. Os natalenses também adicionaram ao idioma nativo expressões da língua inglesa, como o 'ok' e o 'bye-bye'.




Nesta época, cerca de 10 mil americanos se instalaram em Natal, cuja população era de aproximadamente 55 mil habitantes, segundo o estudo do professor Coquinho. "Este número não é exato. Mas, de fato, o grande volume de americanos aumentou a população local em cerca de 20%. É um percentual muito expressivo", disse Coquinho. O grupo de estrangeiros costumava gastar muito dinheiro em Natal. Isso incrementou o comércio natalense. O lado negativo do avanço, com excesso de dinheiro circulando e o inchaço populacional, foi um alto índice inflacionário pois a cidade, com 40 mil habitantes, não estava preparada para receber tanta gente, sem condições de ampliar a produção de comida, aumento dos alugueis e das casas de prostituição (uma das mais conhecidas na época foi o cabaré de Maria Boa). 





O clima de guerra também se espalhou por Natal. Os natalenses conviviam com a frequente ameaça de invasão, uma vez que a posição da cidade seria de suma importância para a Alemanha. Prevendo isso, os americanos alertaram o povo sobre o toque da sirene e os black-outs. Se ela sirene soasse, significaria que os nazistas haviam invadido a cidade.

Com o fim da guerra, em 1945, a crise financeira se instalou na cidade. Mas, restou a modernidade e a estrutura deixada pelos anos de investimentos americanos. Além das lembranças dos dias de prosperidade. Momentos eternizados na história de Natal e nos álbuns de fotografias dos americanos.



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