A cidade do Natal foi
fundamental para a vitória dos aliados no contexto Segunda Guerra Mundial, uma
vez que estava fincada em uma região estratégica, o extremo do Continente Sul-Americano
que mais se aproximava fisicamente do Continente Africano, onde, no início dos
anos 40, as tropas do Eixo avançavam suas conquistas. Devido a isso, foi
instalada uma base militar dos Estados Unidos em Natal, em 1942, pois os Estados
Unidos precisavam de um local de onde pudessem decolar com segurança. Um ponto
de apoio que permitisse abastecer e seguir direto para a África.
Foi por suprir esta
necessidade que Parnamirim Field era, na década de 1940, a maior base aérea
estadunidense em território estrangeiro. Os aviões vinham dos EUA, abasteciam
em Natal e ficavam prontos para fazer a travessia do Atlântico rumo ao
continente africano. Ao fim da guerra, o fato rendeu à capital potiguar o
apelido de “Trampolim da Vitória”.
A Base Americana aqui
instalada, trouxe mudanças significativas para a população da pequena Capital
Nordestina. Natal nunca mais seria a mesma, e teria de conviver com as
modificações econômicas e culturais que a presença dos aliados impôs à
cidade. Um aeroporto com uma média de 200 voos diários, avenidas asfaltadas e a
Base Naval do Alecrim foram marcas importantes do período. Mas, outras coisas
menos relevantes, contudo muito apreciadas, também surgiram com a presença dos
soldados americanos. Natal foi a primeira cidade brasileira a ter coca-cola,
ketchup, óculos de aviador e calças jeans. Os natalenses também adicionaram ao
idioma nativo expressões da língua inglesa, como o 'ok' e o 'bye-bye'.
Nesta época, cerca de 10 mil
americanos se instalaram em Natal, cuja população era de aproximadamente 55 mil
habitantes, segundo o estudo do professor Coquinho. "Este número não é
exato. Mas, de fato, o grande volume de americanos aumentou a população local
em cerca de 20%. É um percentual muito expressivo", disse Coquinho. O
grupo de estrangeiros costumava gastar muito dinheiro em Natal. Isso
incrementou o comércio natalense. O lado negativo do avanço, com excesso de
dinheiro circulando e o inchaço populacional, foi um alto índice inflacionário
pois a cidade, com 40 mil habitantes, não estava preparada para receber tanta
gente, sem condições de ampliar a produção de comida, aumento dos alugueis e
das casas de prostituição (uma das mais conhecidas na época foi o cabaré de
Maria Boa).
O clima de guerra também se
espalhou por Natal. Os natalenses conviviam com a frequente
ameaça de invasão, uma vez que a posição da cidade seria de suma importância para
a Alemanha. Prevendo isso, os americanos alertaram o povo sobre o toque da
sirene e os black-outs. Se ela sirene soasse,
significaria que os nazistas haviam invadido a cidade.
Com o fim da guerra, em 1945,
a crise financeira se instalou na cidade. Mas, restou a modernidade e a
estrutura deixada pelos anos de investimentos americanos. Além das lembranças
dos dias de prosperidade. Momentos eternizados na história de Natal e nos
álbuns de fotografias dos americanos.








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